Angústia é um relato aflito das frustrações de Luís da Silva, personagem
central. Este é um funcionário público que trabalha na diretoria da fazenda
escrevendo artigos por encomenda. Jornalista e com pretensões literária. Faz
constantes alusões a sua infância - relata várias histórias desse tempo por todo
o decorrer do livro. Seu avô, o velho Trajano, chegou a ter poder e escravos.
Seu pai, Camilo Pereira da Silva, pegou os negócios na fazenda quando iam mal.
Aos catorze anos perde o pai. "Desejava em vão sentir a morte de meu pai. Tudo
aquilo era desagradável. [...] Que iria fazer por aí à toa, miúdo, tão miúdo que
ninguém me via?". Vai para a cidade, onde passou fome até se estabelecer com
emprego. Sempre foi muito isolado. "Eu ia jogar pião, sozinho, ou empinar
papagaio. Sempre brinquei só." Passa horas no café, conversando com Moisés,
judeu com ideias comunistas, mas não presta atenção. Pensa nas suas dívidas e
prestações. Vive agitado, antigas imagens o perseguem, não consegue trabalhar,
em tudo vê Julião Tavares e Marina. Esse é seu estado atual. A cerca de um ano,
quando os negócios iam tranqüilos e equilibrados, avista pela primeira vez uma
nova vizinha: Marina. Moça nova e bonita. Fica a observá-la até travar uma
amizade que evolui para namoro. Se encontravam no quintal da casa. Marina
gostava de luxo, admirava D. Mercedes: "uma espanhola madura da vizinhança,
amigada em segredo com uma personagem oficial que lhe entra em casa alta noite."
D. Adélia, mãe de Marina, pede a Luís que arranjasse um emprego para a filha.
Marina não se interessa por tal.
Lia romances fúteis e falava frivolidades. Como ela não permitia maiores
intimidades e Luís da Silva gostava muito dela; ficaram noivos. Em uma festa no
Instituto Histórico, Luís da Silva conhece a figura de Julião Tavares. Sujeito
gordo, vermelho, risonho, patriota, falador e escrevedor. Católico e
reacionário. Defensor de um governo forte. E Julião Tavares "dias depois fez-me
uma visita. Em seguida familiarizou-se. Era Luís para aqui, Luís para alí,
elogios na tábua da venta, só com o fim de receber outros. Não tenho jeito para
isso. Duas, três horas de chateação, que me deixavam enervado, besta, roenda as
unhas." Luís da Silva gasta muito dinheiro com os arranjos para o casamento.
Compra roupas que Marina recebe com desdém. Comprou um anel que ela nem chegou a
usar. Até que "ao chegar à Rua do Macena recebi um choque tremendo. Foi a
decepção maior que já experimentei. À janela da minha casa, caído para fora,
vermelho, papudo, Julião Tavares pregava os olhos em Marina, que, da casa
vizinha, se derretia para ele, tão embebida que não percebeu a minha chegada."
Seguem-se discussões até que Luís da Silva para de falar com Marina e esta
começa a namorar com Julião Tavares. "Se eu não tivesse cataratas no
entendimento, teria percebido logo que ela estava com a cabeça virada. Virada
para um sujeito que podia pagar-lhe camisas de seda, meias de seda." Ele
espreitava os dois e começava a ter alucinações e devaneios. Apesar de tudo,
Luís da Silva ainda nutria esperança que Marina fosse sua: "Se Marina
voltasse... Porque não? Se voltasse esquecida inteiramente de Julião Tavares,
seríamos felizes." Mas ela não volte e ao espiar os sons de Marina ao banheiro
(sendo o seu banheiro colado com o da casa vizinha) descobre que ela se
encontrava grávida. Marina procura os serviços de d. Albertina, parteira
diplomada, para abortar a criança. Luís a havia seguido e quando ela sai
aborda-a e vocifera palavrões. Marina não tem coragem de reagir. O romance
prossegue em um ritmo rápido, com a raiva que Luís da Silva tinha por Julião
Tavares crescendo exponencialmente. Ele descobre que Julião Tavares tinha feito
nova conquista e o segue até Bebedouro, local da casa desta nova "vítima".
Quando Tavares voltava para casa, após várias considerações e pensamentos
difusos, Luís da Silva acaba estrangulando-o com uma corda. Atordoado e com
medo, Luís da Silva volta para casa e é tomado por uma forte febre que produz
alucinações, imagens e lembranças que o perturbam. A narrativa do livro tem
início quando ele desperta do torpor. Ele agora é um homem destruído e sujo.
Angústia é um livro forte, e com uma narrativa psicológica densa. É no entender
de Sergius Gonzaga "um dos romances mais amargos da literatura brasileira
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sábado, 14 de julho de 2007
Angustia - Graciliano Ramos
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